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Terça-feira, 24 de janeiro de 2006 - 11h53
Parque tem duas opções de trekking
A trilha dos Saltos é pontilhada por cristais, enquanto o roteiro dos Cânions exige fôlego por 10 quilômetros.
Alto Paraíso de Goiás -
Os cartões-postais do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros começam a se apresentar aos turistas ainda na estrada. Os limites da reserva ambiental margeiam a GO-239 no caminho entre Alto Paraíso e São Jorge, com um visual de encher os olhos. Portanto, deixe aquele tradicional cochilo de viagem para outra hora e não perca nenhum detalhe da paisagem que se abre à sua frente. Um dos pontos mais interessantes é o Jardim de Maytréa, na altura do quilômetro 20. Vale a pena fazer uma parada para fotografar. A perfeição é tanta que se tem a impressão que os buritis (tipo de palmeira que nasce em locais onde há muita água) foram plantados por algum paisagista. Mas nada substitui a experiência de explorar o Parque Nacional. Criado em 1961 com mais de 6 milhões de quilômetros quadrados, teve sua área reduzida ao longo dos anos e hoje possui cerca de 10% de seu tamanho inicial: 650 mil quilômetros quadrados. Ainda assim, em 2001, a Chapada dos Veadeiros foi declarada Patrimônio Mundial Natural pela Unesco. Para os turistas, a visitação é restrita. Há duas opções de roteiros: dos Saltos ou dos Cânions. Se estiver com tempo, reserve um dia para cada passeio. Boa parte das trilhas do parque foram feitas por garimpeiros. Antes da criação da reserva, a área contava com vários pontos de garimpo, que ainda podem ser observados pelos turistas. Na Trilha dos Saltos, os visitantes passam pelo Garimpão, principal ponto de extração de cristal entre 1912 e 1961. Trilha dos Saltos Em todo o trajeto da Trilha dos Saltos, de aproximadamente nove quilômetros, observa-se uma grande quantidade de pequenos cristais no chão. A primeira impressão é de que alguém os colocou no caminho para evitar escorregões. Nada disso: um olhar mais atento revela que as pedras estão ali naturalmente. Mais um capricho da natureza. A caminhada até o mirante dura, em média, 1h30. Ali, uma paisagem estonteante se revela: o Salto 2 do Rio Preto, uma cachoeira de 120 metros. De lá, o grupo segue rumo ao poço formado por outra queda-d’água, o Salto 1, de 80 metros. No local, é possível banhar-se em uma área limitada, por causa da forte correnteza do rio. A água, gelada, é revigorante depois de quase três horas de caminhada. Durante o mergulho, não se assuste caso sinta pequenos beliscões na perna. São apenas peixinhos te confundindo com algum tipo de petisco... E por falar em petisco, a área figura como o melhor ponto para lanchar. Afinal, será preciso muita energia para encarar a subida íngreme da volta. Próxima parada: corredeiras do Rio Preto. Na época da estiagem, é possível aproveitar a hidromassagem natural que se forma no trecho e relaxar os músculos cansados do trekking. A estação seca também é o melhor período para percorrer a Trilha dos Cânions do Rio Preto, de aproximadamente 10 quilômetros. No período das cheias, apenas o segundo cânion fica aberto à visitação por causa do grande volume de água. O passeio segue até a Cachoeira dos Cariocas, de 18 metros de altura.
Adriana Moreira
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