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Terça-feira, 24 de janeiro de 2006 - 09h11
Gilberto Gil pede à União Européia que apóie a cultura
O ministro da Cultura, pediu hoje em Bruxelas que a União Européia (UE) se envolva em projetos que promovam a cultura como ferramenta para o desenvolvimento e para as relações bilaterais
Bruxelas -
"A cultura deve ser considerada um ponto estratégico para o desenvolvimento de um país. A economia é importante, mas não é tudo, e a UE hoje compartilha essa visão", afirmou Gil em entrevista coletiva na sede da Comissão Européia (CE, órgão executivo da UE), depois da primeira rodada de uma série de reuniões que terá com altos funcionários da UE. Acompanhado por uma delegação formada por outros quatro representantes do Ministério de Cultura, Gil se reuniu hoje com o presidente da CE, o português José Manuel Barroso, e com os comissários de Desenvolvimento e Ajuda Humanitária, Louis Michel; e de Sociedade da Informação, Viviane Reding. O tema principal da reunião entre Gil e Reding foi a adoção do sistema de televisão digital europeu. O ministro disse que as propostas ainda são provisórias, mas revelou que Reding irá ao Brasil no final do mês para aprofundar as negociações."Ela está muito interessada em que seu sistema seja bem sucedido no Brasil, que representa um grande mercado para Europa, e nós temos grande interesse em escutar suas propostas", disse. O governo brasileiro está na fase final dos estudos para decidir qual dos três sistemas de televisão digital disponíveis - europeu, norte-americano e japonês - deverá ser implantado no país, e prometeu que sua adoção será concluída até junho desse ano, a tempo dos jogos da Copa da Alemanha. Projetos No entanto, o principal objetivo da delegação do Ministério da Cultura foi pedir à UE que inclua projetos brasileiros no próximo orçamento comunitário, uma proposta que foi "bem recebida" por Barroso, que "leva em consideração o papel que o Brasil desempenha na América do Sul e em relação à África", segundo Gil. Embora não se tenha falado em números, a CE se comprometeu a criar um grupo de trabalho e a programar reuniões técnicas a fim de estabelecer linhas de financiamento para as propostas brasileiras apresentadas hoje. A mais ambiciosa se refere à criação de um "Centro internacional para uma economia criativa", uma instituição dedicada a apoiar a produção cultural alternativa e regional e transformá-la em mercadorias de consumo nacional e internacional.Segundo Gil, a idéia é expandir o conceito ordinário de cultura, levá-lo além do patrimônio histórico, das artes plásticas ou do cinema. O centro foi idealizado em junho de 2004 pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) e conta com o apoio dos demais países da América do Sul, além de alguns africanos e da simpatia da China. A sede escolhida foi Salvador, centro da cultura afro-brasileira e cidade-natal de Gil, que prevê que os trabalhos comecem dentro de dois ou três meses, apoiados pelos Governos federal, estadual e municipal, e com uma estrutura reduzida. Outro projeto que recebeu promessas de cooperação européia é o segundo "Fórum Mundial de Cultura", um evento que despontaria como um espaço para a discussão e pesquisa sobre as perspectivas culturais e sociais no mundo, com a participação de ministros da Cultura e de instituições culturais. "O fórum é uma plataforma para discutir os novos desafios da cultura em um mundo em transformação. Temos de unir forças para superar os problemas gerados pela globalização e pelos cortes nos subsídios, e para proteger, sobretudo a diversidade cultural", destacou Gil. A próxima edição será realizada em novembro no Rio de Janeiro e em Salvador, simultaneamente, e a intenção do ministro brasileiro é fixar o evento como bienal, realizado cada vez em um país diferente. O primeiro fórum, foi realizado em São Paulo em 2004, contou com cerca de 150 mil participantes de 78 países em seis dias de conferências. O ministro da Cultura também obteve o compromisso da CE de avaliar uma possível ajuda à fundação "Casa da África no Brasil, um centro que se dedicará a proteger e incentivar as manifestações culturais do continente, abundantes e intrínsecas à cultura brasileira através da herança deixada pelos escravos africanos. Amanhã, Gil se reunirá com o comissário europeu de Cultura, Ján Figel, a quem pedirá que estimule a colaboração entre Brasil e Europa na produção cinematográfica. No Parlamento Europeu, se reunirá com a co-presidente do grupo dos Verdes, a italiana Monica Frassoni, e com o eurodeputado Umberto Guidoni, com quem lançará a "Carta de Direitos da Internet", um documento que proclama os direitos à liberdade de uso da rede mundial e ao respeito da privacidade de seus usuários.
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