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Terça-feira, 24 de janeiro de 2006 - 19h46
Jovens de Vigário Geral podem ter sido enterrados em cômodo
Rio de Janeiro -
Quarenta e um dias após o seqüestro de oito jovens da favela de Vigário Geral, na zona norte do Rio, a polícia chegou a uma casa onde seus corpos podem ter sido enterrados. Os indícios são fortes: no imóvel, em ruínas, havia um quarto com o chão recém-reformado. Além disso, foram encontrados uma calça e um casaco que duas das vítimas usavam no dia em que desapareceram, segundo as mães. No entanto, os policiais não fizeram escavações no cômodo. A equipe da Delegacia de Homicídios, que estava na favela para realizar a reconstituição do seqüestro, abriu um pequeno buraco no chão de outra parte da casa - para indignação das mães de alguns rapazes desaparecidos. Elas acompanhavam a ação e disseram aos policiais que tinham informações de que havia corpos enterrados na casa. A construção fica perto do Posto de Policiamento Comunitário que divide Vigário Geral e Parada de Lucas, de onde os seqüestradores saíram. O delegado Carlos Henrique Machado justificou: "Fizemos a escavação que foi possível fazer. Não podemos escavar a favela inteira". Somente hoje a polícia começou a periciar outro imóvel, onde os jovens teriam sido torturados e mortos. O local foi apontado por um recruta da Marinha que foi levado inicialmente pelos bandidos, e depois liberado. Ele participou da reconstituição, que começou às 15h30. Protegido por um colete à prova de balas, o recruta circulou por Vigário Geral e Parada de Lucas com uma touca ninja e um sobretudo com capuz, por medida de segurança. Para o delegado Carlos Henrique Machado, o trabalho de hoje teve resultado positivo. "Embora não tenhamos os corpos, estamos buscando provas técnicas de que houve assassinato por outros meios", disse. "Vamos fazer testes com o (equipamento) luminol, à noite, na casa onde teria ocorrido a tortura, em busca de vestígios humanos que possam passar por teste de DNA que possa embasar uma denúncia do Ministério Público". Familiares das vítimas não ficaram satisfeitos com o que viram. Algumas mães dos rapazes tinham a expectativa de que o rio Meriti, onde os corpos teriam sido jogados, fosse dragado. Mas técnicos da Superintendência Estadual de Rios e Lagoas (Serla) informaram que isto era inviável, porque a máquina não tem como se aproximar do rio. Bombeiros também não puderam entrar no rio de bote porque a superfície é tomada por plantas aquáticas. Durante o trabalho da polícia na favela, quatro pessoas foram presas: a mãe e a irmã do traficante Nego, de Parada de Lucas, e dois traficantes que ameaçavam testemunhas. O advogado João Tancredo, que a partir dessa semana passa a defender uma das mães de Vigário, sofreu um seqüestro relâmpago na sexta-feira passada. Os criminosos nada levaram e o mandaram "tomar cuidado". "Trabalho em vários casos polêmicos e não sei quem quis me assustar. Mas pela minha militância, não há dúvida de que foi um aviso, e que os próximos passos serão mais violentos", afirmou o advogado.
Clarissa Thomé
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