Segunda-feira, 12 de setembro de 2005 - 21h04

Preso suspeito de chacina de dekasseguis em São Paulo

São Paulo - A polícia de São Paulo prendeu nesta segunda-feira o vigia Ricardo Francisco dos Santos, de 26 anos, sob a acusação de envolvimento na chacina de cinco pessoas da família Yonekura, no fim de semana. Santos conhecia a família. Sua voz foi identificada por Tadashi Yonekura durante o roubo. A prisão foi decretada por 20 dias pelo juiz Evandro Takeshi Kato, do Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo). O vigia, cuja família mora perto dos Yonekura, alegou inocência.

Para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), esse é o provável motivo de os ladrões terem executado as vítimas. Segundo os policiais, Santos sabia que William Yonekura, a mulher, Erica Akemi Miyamoto, e sua irmã, Fátima Yonekura, voltariam do Japão com dólares, no sábado. Os três passaram seis anos naquele país, onde William e Fátima trabalharam. Eles pretendiam usar o dinheiro para ajudar a família.

Na sexta-feira, um homem, que não se identificou, telefonou para a casa dos Yonekura e perguntou a Tadashi se o seu filho William iria chegar no sábado. "Temos certeza de que foi um latrocínio", disse o delegado Fábio Guedes Rosa, do DHPP.

A polícia também divulgou o retrato falado de outro suspeito da chacina. Ele é um homem pardo, magro, de cabelos castanhos escuros e crespos, com cerca de 1,75 metro de altura e 28 anos de idade, aproximadamente.

Os dois ladrões entraram na casa dos Yonekura às 20 horas de sábado e dominaram toda a família. William contou aos policiais que estava dormindo quando os bandidos entraram. Ele havia chegado de viagem do Japão horas antes e estava descansando. Os bandidos acordaram William e o obrigaram a descer até a sala onde estavam os demais familiares. Os criminosos amarraram com fios de cobre Tadashi e Futaba Yonekura, William, Fátima e Erica.

Pouco depois, o terceiro filho do casal de japoneses, Nilton, chegou e também foi dominado pelos ladrões, que exigiam os dólares. William explicou que a maior parte do dinheiro, US$ 27 mil, estava no banco. Na casa havia apenas US$ 5 mil.

Cerveja - Os criminosos não acreditaram na versão da família e reviraram a casa em busca do dinheiro. Para que não fossem reconhecidos, enrolaram camisetas no rosto, como presos amotinados. Depois que Tadashi reconheceu a voz de Santos, a violência aumentou. Os ladrões bebiam cervejas e apagavam cigarros na mão de Nilton. Queriam o "dinheiro do banco". Como o assalto estava demorando, um dos bandidos telefonou para casa e acalmou a mulher. Disse que "estava tudo bem" e pediu a ela que não se preocupasse.

Os bandidos passaram a bater com um pedaço de pau nas vítimas. Primeiro agrediram Fátima, que desmaiou. William tentou impedir e foi golpeado na cabeça e também desmaiou. Em seguida, os bandidos levaram os pais dos dekasseguis para o andar superior da casa. Já semiconsciente, William ouviu tiros. Também ouviu a mulher ser executada no Gol da família. No banco traseiro estava o filho do casal, Bruno, de 11 meses, nascido no Japão - poupado pelos ladrões. Nilton foi o último a ser morto, com um tiro.

Os bandidos apanharam tíner e álcool a atearam fogo aos corpos dos pais de William. Pensando que ele também estava morto, tentaram incendiá-lo, mas não conseguiram porque o tíner acabara e o álcool que jogaram na vítima não pegou fogo com o fósforo. Os ladrões fugiram às 6 horas. Levaram US$ 5 mil. "Vamos prender o outro ladrão", disse o delegado.

Marcelo Godoy

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