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Quarta-feira, 25 de maio de 2005 - 17h56

Adesão aos planos de saúde está estacionada

Arte/Estado
Rio de Janeiro - Apesar da desconfiança dos brasileiros em relação ao atendimento público, a adesão aos planos de saúde não cresceu no País. De acordo com a pesquisa do IBGE, o crescimento do setor acompanhou o da população, mantendo a parcela coberta pela saúde suplementar no patamar de aproximadamente 25% dos brasileiros. Dos 43,2 milhões que têm plano de saúde, que correspondem a 24,6% da população, 34,2 milhões estão ligados a operadoras privadas. Os outros 9 milhões são atendidos por planos de assistência para servidores públicos, como os militares. A explicação está no bolso. "Saúde não tem preço, mas tem custo", diz o presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), Arlindo de Almeida.

Para ele, menor crescimento da saúde suplementar, que aumentar nos anos 90 a cerca de 10% ao ano, foi a regulamentação em 1998. "As exigências da regulamentação fizeram com que a cobertura ficasse muito ampla e isso levou a um aumento dos custos das operadoras", diz. Na avaliação da Abramge, os planos perderam de 4 a 5 milhões de associados nos últimos anos por causa do conseqüente aumento das mensalidades combinado com a queda da renda dos brasileiros.

Ricos e pobres

Os números confirmam essa impressão. A adesão aos planos de saúde cresce de acordo com a renda e expõe um quadro de desigualdade. Apenas 2,9% dos que têm renda familiar até um salário mínimo estão cobertos, enquanto 83,8% da faixa acima de 20 salários têm plano privado. "Os planos cobrem os mais saudáveis", afirma a pesquisadora do Centro de Informação Científica e Tecnológica da Fiocruz, Cláudia Travassos.

Surpreendentemente, a disparidade é tímida na comparação por faixas etárias. A cobertura é parecida entre o grupo de 40 a 64 anos e o de idosos com mais de 65 anos: 29,7% e 29,8%, respectivamente. No entanto, é a primeira faixa que concentra a maior parte dos titulares: 63,9%. Em 50,1% dos casos, o pagamento do plano é feito por meio do trabalho atual ou anterior, embora a pesquisa registre a diminuição da participação dos empregadores no financiamento do setor.

Mercado estabilizado

Os 49,9% restantes pagam diretamente às operadoras mensalidades que variam entre R$ 50 e R$ 200 em 33,9% dos casos. Esse valor aumenta de acordo com a renda familiar. Para apenas 2% as mensalidades superam R$ 500. "A pesquisa demonstra que esse mercado já se definiu, está estabilizado", afirma Cláudia Travassos.

Apesar de atribuir à alta das mensalidades a estagnação do setor, o presidente da Abramge defende a liberação de reajustes pelo governo, a segmentação de planos com coberturas limitadas e a instituição da co-participação obrigatória do usuário no pagamento de consultas e exames capazes de reduzir uso exagerado dos serviços que onera as empresas. O que, aparentemente, afugentaria mais segurados, para Almeida pode ser a solução para dar mais força às operadoras e alcançar, numa visão otimista, 60 milhões de clientes. Na opinião dele, isso ajudaria a diminuir a sobrecarga sobre o Sistema Único de Saúde (SUS).

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Alexandre Rodrigues

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