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Quarta-feira, 25 de maio de 2005 - 17h48

30% dos brasileiros têm alguma doença crônica

Arte/Estado
Rio de Janeiro - Três em cada dez brasileiros têm pelo menos uma doença crônica, aquela que acompanha o paciente durante muito tempo. Entre os idosos (acima dos 65 anos), a proporção chega a 77,6%. Da bronquite ao câncer, são doenças com os mais variados tipos de gravidade, mas com as quais os doentes são obrigados a conviver. A incidência de doenças crônicas nas mulheres é bem maior (33,9%) que nos homens (25,7%). São 52,6 milhões de pessoas com doenças duradouras, curáveis ou não, segundo o IBGE.

Os estudos médicos consideram dor crônica aquela em que os sintomas são constantes por um período que varia de três a seis meses. No caso das doenças crônicas mais graves, como o câncer, o grande desafio dos médicos é o tratamento da dor. "A dor aguda tem uma função, muitas vezes de alerta, quando, por exemplo, uma pessoa encosta no ferro quente. A dor crônica não tem nenhuma função. Ela limita as atividades, afasta do convívio social, faz aparecerem sintomas como a depressão", diz o médico Zemilson Bastos Brandão de Souza, anestisiologista e clínico da dor da Clínica São Vicente, no Rio.

Dores mal tratadas

Na semana passada, ele organizou um seminário sobre dores decorrentes do câncer. Zemilson Brandão de Souza sustenta a tese de que as dores não são tratadas de maneira adequada, mesmo nos pacientes que estão internados. A medicina paliativa, que diminui o sofrimento de pacientes com dor, tem sido cada vez mais procurada como especialização entre os médicos. Em geral, é aplicada nos pacientes graves que não respondem mais a tratamentos terapêuticos. "Entre 20% e 30% dos pacientes internados e, portanto, com atendimento permanente, queixam-se de dor porque são subtratados", diz o médico.

Para ele, é preciso esclarecer profissionais de saúde, pacientes e famílias sobre a aplicação de medicamentos adequados de acordo com a intensidade da dor: dos antiinflamatórios para os casos mais leves, até narcóticos fortes como a morfina. "A morfina utilizada com fins terapêuticos é indicador de qualidade de tratamento da dor", diz. No caso de doenças crônicas de menor gravidade, o desafio é não permitir que evoluam a ponto de comprometer a qualidade de vida dos pacientes além, naturalmente, de buscar a cura. Muitas vezes, os doentes já sabem como agir nos momentos de piora e aprendem a evitar quadros mais graves.

Adultos

Um dos dados que chamam atenção na pesquisa do IBGE é a alta incidência de pacientes na faixa dos 40 anos com doenças crônicas: são 46,6% do total. Na faixa dos 20 aos 39 anos, as doenças crônicas atingem uma em cada cinco pessoas. Na pesquisa de 2003, o IBGE mudou a pergunta feita em 1998 e registrou os casos de doenças crônicas diagnosticadas e não apenas as citadas pelos entrevistados. Por isso, a maior incidência de doenças crônicas foi registrada entre os mais ricos. "Como as faixas de renda mais alta têm mais acesso aos serviços de saúde e a doença tem que ter sido apontada pelo médico, a incidência de doenças crônicas aumenta com a renda", diz a pesquisadora da Fiocruz, Cláudia Travassos.

Em 1998, 31,6% dos entrevistados disseram pelo menos uma doença crônica, mas não era necessário ter um diagnóstico médico. Por isso, a comparação entre os dois períodos não é confiável. Entre os 52,6 de milhões portadores de doenças crônicas, a maioria (58,5%) tem uma doença. Quase 23% têm duas doenças e 18,5% sofrem com três ou mais doenças.

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Luciana Nunes Leal

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