30% dos brasileiros têm alguma doença crônica
Os estudos médicos consideram dor crônica aquela em que os sintomas são constantes por um período que varia de três a seis meses. No caso das doenças crônicas mais graves, como o câncer, o grande desafio dos médicos é o tratamento da dor. "A dor aguda tem uma função, muitas vezes de alerta, quando, por exemplo, uma pessoa encosta no ferro quente. A dor crônica não tem nenhuma função. Ela limita as atividades, afasta do convívio social, faz aparecerem sintomas como a depressão", diz o médico Zemilson Bastos Brandão de Souza, anestisiologista e clínico da dor da Clínica São Vicente, no Rio. Na semana passada, ele organizou um seminário sobre dores decorrentes do câncer. Zemilson Brandão de Souza sustenta a tese de que as dores não são tratadas de maneira adequada, mesmo nos pacientes que estão internados. A medicina paliativa, que diminui o sofrimento de pacientes com dor, tem sido cada vez mais procurada como especialização entre os médicos. Em geral, é aplicada nos pacientes graves que não respondem mais a tratamentos terapêuticos. "Entre 20% e 30% dos pacientes internados e, portanto, com atendimento permanente, queixam-se de dor porque são subtratados", diz o médico. Para ele, é preciso esclarecer profissionais de saúde, pacientes e famílias sobre a aplicação de medicamentos adequados de acordo com a intensidade da dor: dos antiinflamatórios para os casos mais leves, até narcóticos fortes como a morfina. "A morfina utilizada com fins terapêuticos é indicador de qualidade de tratamento da dor", diz. No caso de doenças crônicas de menor gravidade, o desafio é não permitir que evoluam a ponto de comprometer a qualidade de vida dos pacientes além, naturalmente, de buscar a cura. Muitas vezes, os doentes já sabem como agir nos momentos de piora e aprendem a evitar quadros mais graves. Um dos dados que chamam atenção na pesquisa do IBGE é a alta incidência de pacientes na faixa dos 40 anos com doenças crônicas: são 46,6% do total. Na faixa dos 20 aos 39 anos, as doenças crônicas atingem uma em cada cinco pessoas. Na pesquisa de 2003, o IBGE mudou a pergunta feita em 1998 e registrou os casos de doenças crônicas diagnosticadas e não apenas as citadas pelos entrevistados. Por isso, a maior incidência de doenças crônicas foi registrada entre os mais ricos. "Como as faixas de renda mais alta têm mais acesso aos serviços de saúde e a doença tem que ter sido apontada pelo médico, a incidência de doenças crônicas aumenta com a renda", diz a pesquisadora da Fiocruz, Cláudia Travassos. Em 1998, 31,6% dos entrevistados disseram pelo menos uma doença crônica, mas não era necessário ter um diagnóstico médico. Por isso, a comparação entre os dois períodos não é confiável. Entre os 52,6 de milhões portadores de doenças crônicas, a maioria (58,5%) tem uma doença. Quase 23% têm duas doenças e 18,5% sofrem com três ou mais doenças. Leia mais 78,6% dos brasileiros acham que estão bem de saúde Dinheiro público financia mais da metade da saúde no Brasil Adesão aos planos de saúde está estacionada Sem dinheiro, 1 milhão não procuram serviço de saúde 28 milhões de brasileiros nunca foram ao dentista Sem dentista e sem dinheiro, camelô recorre ao candomblé Luciana Nunes Leal
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